Desde 1971, festivais têm-se multiplicado
Jazz de Norte a Sul do PaísBraga, Estremoz, Lagoa, Odemira, Seixal, Coimbra, Guimarães ... Os festivais de jazz multiplicam-se pela província fora, num fenómeno até há pouco tempo impensável e que fará hoje de Portugal “o país europeu com mais concertos de jazz per capita”.
A onda chegou também à Madeira e aos Açores, onde na última década surgiram mais dois festivais internacionais: o Funchal Jazz e o Angrajazz, em Julho e Setembro, respectivamente.Pioneiros da divulgação do jazz consideram, contudo, que aquela música continua a ser encarada como “um género menor” e “a imprensa ainda não lhe dedica tanto relevo como ao rock ou à chamada música erudita”.
“O jazz, em Portugal, não cresceu: inchou”, disse à Agencia Lusa José Duarte, fundador do Clube Universitário de Jazz, em 1958, e autor de vários livros sobre jazz.“
No tempo do fascismo não havia nada, agora há mais de trinta festivais de jazz por ano.
É uma moda”, acrescentou.Segundo José Duarte, Portugal deverá ser mesmo “o país europeu com mais concertos de jazz per capita”.
O primeiro festival de jazz realizado em Portugal, o mítico Cascais Jazz, decorreu em 1971 por iniciativa de Luis Vilas Boas, que foi também o sócio número 1 do Hot Clube de Portugal, fundado em 1948.Durante várias décadas, antes e depois do 25 de Abril, a minúscula cave do Hot Clube, na Praça da Alegria, em Lisboa, foi o único santuário do jazz no País.
“Hoje há mais gente a ir ao jazz, mas continua a ser um público restrito e o gosto não evoluiu muito”, diz Duarte Mendonça, antigo colaborador de Vilas-Boas e que desde há 24 anos dirige o Estoril Jazz.Como José Duarte, aquele promotor considera que a recente proliferação de festivais de jazz também é “um fenómeno de moda e de imitação”, impulsionado nomeadamente por algumas autarquias.“Não tenho nada contra a moda. A moda é um processo contínuo de actualização e, neste caso, reflecte a expansão natural do jazz”, afirma Rui Neves, director artístico do Jazz em Agosto, que desde há mais de vinte anos anima o jardim da Fundação Gulbenkian, em Lisboa.“Há mais pessoas a gostar de ouvir jazz e muito mais grupos a tocar”, acrescentou.Instituições como a Culturgest, em Lisboa, e a Casa da Musica, no Porto, também incluem o jazz na sua programação regular e a nova direcção do CCB (Centro Cultural de Belém) anunciou que vai “apostar mais” naquele género musical. Em Novembro, o CCB acolherá um dos grandes nomes do jazz contemporâneo, o pianista norte-americano Keith Jarrett, que não toca em Portugal desde a década de oitenta.Na nova geografia do jazz em Portugal sobressaem também a Orquestra de Jazz de Matosinhos, cuja autarquia se intitula “a capital do Jazz em Portugal”, e a Escola de Jazz de Torres Vedras, fundada há quatro anos e que desde 2005 organiza igualmente um festival.*
A saber…Outros festivais
No Algarve, Lagoa e Portimão já têm o seu festival de jazz, e há certames idênticos no Alentejo, designadamente em Estremoz, Odemira e Portalegre.Leiria e Marinha Grande são os palcos do Festival de Jazz da Alta Estremadura e desde há três anos Coimbra promove o Jazz ao Centro.
O Verão é a época alta dos festivais, mas os apreciadores já sabem que a temporada começa logo em Março, com o Braga Jazz, e prolonga-se até Novembro, quando entra em cena o Guimarães Jazz.